Durante cerca de dois anos, tentámos engravidar naturalmente. Ao início, tudo parecia simples. Afinal, sempre ouvimos dizer que, mais cedo ou mais tarde, aconteceria. Mas, à medida que os meses passavam, a ansiedade começava a ocupar cada vez mais espaço nas nossas vidas.
Bastava a menstruação atrasar um único dia para eu correr para a farmácia comprar mais um teste de gravidez. Cada ciclo trazia uma nova esperança e cada resultado negativo uma nova desilusão. Vivíamos numa espécie de montanha-russa emocional, sempre à procura de sinais que nos dissessem que, finalmente, era a nossa vez.
Hoje olho para trás e consigo reconhecer que muitas vezes a minha vontade de ser mãe falava mais alto do que a razão. Houve momentos em que me convenci de que tinha sintomas, em que analisava cada mudança do meu corpo ao pormenor e interpretava qualquer sinal como uma possível gravidez. Não estava a imaginar ou a exagerar; estava apenas agarrada à esperança.
Com o passar do tempo, percebemos que não podíamos continuar a viver apenas de expectativas. Decidimos procurar ajuda médica e marcar consulta com um ginecologista. Foi a primeira vez que sentimos que talvez estivéssemos perante um problema real e não apenas perante um atraso da natureza.
Depois de analisar a nossa situação, o médico solicitou uma série de exames e deu-nos a sua opinião sobre aquilo que poderia estar a acontecer. Naquele momento, sem o sabermos, estávamos prestes a iniciar uma viagem que mudaria as nossas vidas para sempre.
Quando chegaram os resultados, percebemos que aquilo que até então parecia ser apenas uma sucessão de tentativas falhadas tinha, afinal, explicações concretas.
Do meu lado, a tiroide estava bastante desregulada, uma situação que poderia estar a dificultar a concretização de uma gravidez. Do lado dele, os resultados revelaram que, embora os espermatozoides tenham bastante mobilidade, a sua quantidade é considerada reduzida (pasmem-se ao saber que um número considerável é nada mais, nada menos, do que cerca de 15 milhões de espermatozóides por ml) e, além disso, também se verificaram alterações na sua morfologia, ou seja, muitos não apresentavam a forma considerada adequada para uma fecundação natural (o que faz com que tenham dificuldade em perfurar os óvulos).
Ainda assim, segundo a avaliação do médico, não existia nenhum fator de infertilidade claramente identificado em nenhum de nós.
Curiosamente, uma das coisas que mais nos marcou nessa fase foi ouvir o médico dizer que o facto de já existirem algumas respostas era, na verdade, um excelente ponto de partida. À primeira vista pode parecer estranho, mas fazia todo o sentido: quando não se encontra uma causa para a dificuldade em engravidar, os profissionais de saúde têm menos pistas para orientar a investigação e definir o tratamento mais adequado.
Saber onde procurar era, de certa forma, uma fonte de esperança no meio de tantas dúvidas.
Veio um misto de emoções. Por um lado, havia a preocupação e o medo do desconhecido. Por outro, existia algum alívio por finalmente termos respostas para perguntas que nos acompanhavam há tanto tempo.
O médico explicou-nos que a situação poderia ter diferentes causas e que, no caso do meu marido, não era possível excluir uma origem genética. Ainda assim, antes de tirar conclusões precipitadas, havia um longo caminho de acompanhamento, exames e decisões pela frente.
Foi nesse momento que deixámos de ser apenas um casal que estava a tentar engravidar e passámos a ser um casal à procura de soluções.
Sem o sabermos, dávamos os primeiros passos num percurso que nos iria desafiar emocionalmente, testar a nossa resiliência e, acima de tudo, ensinar-nos o verdadeiro significado da palavra esperança.

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