“E é assim que vos dou as boas-vindas a esta aventura.”
Talvez estejam a perguntar-se: porquê este blog? De onde vem este nome e como surgiu esta ideia?
Depois de quatro tratamentos de fertilidade e de uma gravidez que não evoluiu, dei por mim a questionar muitas coisas na minha vida.
Talvez por ter sido mãe muito jovem. Engravidei aos 18 anos, de forma natural e sem qualquer dificuldade, pelo que nunca me passou pela cabeça que, um dia, viria a precisar de tratamentos de fertilidade para voltar a tentar concretizar o sonho de ter um filho.
Embora o contexto fosse diferente e o pai não fosse o mesmo, a verdade é que a infertilidade entrou nas nossas vidas sem avisar.
A vida tinha outros planos para nós. E foi precisamente através dos desafios, das dúvidas e das perdas que fomos percebendo que a nossa experiência poderia ajudar outros casais a sentirem-se compreendidos e, acima de tudo, a não se sentirem sozinhos.
E é assim que vos dou as boas-vindas a esta aventura. Uma aventura feita de desafios, aprendizagens, esperança e muita resiliência. E posso dizer-vos uma coisa: que aventura.

A nossa história não começou neste blog.
O blog começou por causa da nossa história.
Este blog tem um caráter meramente informativo e resulta exclusivamente da minha experiência pessoal. Não sou especialista nesta área; a única ligação que tenho a este universo é a de alguém que fez parte de um dos muitos casais que recorreram à ciência para concretizar o sonho de ter um filho.
O objetivo deste espaço é partilhar o nosso percurso e, acima de tudo, fazer com que outros casais que estejam a viver esta realidade percebam que não estão sozinhos. Que, algures, existem outras pessoas a enfrentar as mesmas dúvidas, os mesmos medos, as mesmas expectativas e desafios.
Ao longo destas páginas, irei refletir sobre a minha experiência, revisitar momentos marcantes e dar voz às inúmeras emoções que acompanham este processo. Emoções que, muitas vezes, são difíceis de explicar a quem nunca passou pelo mesmo.
Durante muito tempo questionei-me sobre qual seria o momento certo para começar este blog. Hoje percebo que é agora. Agora que as emoções continuam genuínas, que as memórias permanecem vivas e que os sentimentos ainda não foram suavizados pelo tempo. Quando iniciei esta caminhada, senti falta de testemunhos reais, de relatos capazes de mostrar o lado mais humano desta experiência. É precisamente essa ausência que espero ajudar a colmatar para quem vier a percorrer este caminho.
Não pretendo ser uma guia, muito menos alguém que tenha todas as respostas. Tal como tantos outros casais, também vivi momentos de incerteza, sem saber o que o futuro nos reservaria. Ainda assim, gostava que este espaço pudesse servir de companhia e conforto, para que ninguém se sinta um estranho ou deslocado, como tantas vezes eu própria me senti.
É um tema que magoa, que deixa marcas e que nos desafia a superar limites que nunca imaginámos existir. Um percurso que nos transforma profundamente, enquanto pessoas, mas também enquanto mulheres, homens, mães e pais de coração cheio de esperança.
Apesar de a Procriação Medicamente Assistida ser uma realidade cada vez mais presente na sociedade, continua a ser um assunto envolto em silêncio. Muito provavelmente, existem à vossa volta casais que já percorreram este caminho sem que alguma vez o tenham partilhado. O peso do tabu continua a ser grande e, talvez por isso, seja tão importante falar sobre o tema com mais naturalidade, empatia e abertura.
Por isso, deixo-vos um desafio: e se começássemos, juntos, a mudar esta mentalidade?
Como já vos disse, este é um tema delicado e profundamente emocional. Por essa razão, não farei promessas quanto à regularidade das publicações. Escreverei quando me sentir preparada para o fazer, quando sentir que tenho algo genuíno para partilhar. Mas uma promessa, essa sim, posso fazer: não vos deixarei sentir que estão sozinhos nesta caminhada.
"É um tema que magoa, que deixa marcas e que nos desafia a superar limites que nunca imaginámos existir. Um percurso que nos transforma profundamente, enquanto pessoas, mas também enquanto mulheres, homens, mães e pais de coração cheio de esperança."

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