A procura de respostas

E agora?

Durante muito tempo, o nosso objetivo foi encontrar respostas. Acreditávamos que, quando soubéssemos o que estava a dificultar a gravidez, tudo passaria a fazer sentido e seria mais fácil seguir em frente.

Mas a verdade é que as respostas nem sempre trazem a clareza que imaginamos.

Depois da consulta, regressámos a casa com mais informação do que alguma vez tínhamos tido, mas também com inúmeras dúvidas. O que significavam realmente aqueles resultados? Seriam suficientes para explicar a nossa dificuldade em engravidar? Existiria algum tratamento? Quanto tempo demoraria? E, acima de tudo, conseguiríamos algum dia realizar o sonho de ter um filho?

Passámos horas a pesquisar termos médicos que até então nos eram completamente desconhecidos. De repente, palavras como “morfologia”, “espermograma” e “fertilidade” passaram a fazer parte do nosso vocabulário diário.

Quanto mais procurávamos respostas, mais percebíamos que este era um mundo complexo e cheio de nuances. Não existiam fórmulas mágicas nem garantias. Existiam probabilidades, hipóteses, estatísticas e muitos pontos de interrogação.

Uma das maiores aprendizagens desta fase foi perceber que a infertilidade não tem um rosto único. Não é um problema exclusivamente feminino nem exclusivamente masculino. Não escolhe idades, profissões ou estilos de vida. Simplesmente acontece. E acontece a muito mais pessoas do que imaginamos.

Apesar de já conhecermos alguns dos fatores que poderiam estar a contribuir para as nossas dificuldades, continuávamos sem saber qual seria o próximo passo. O primeiro médico acreditava que não existia um fator de infertilidade claramente definido e isso deixava-nos numa espécie de limbo: havia alterações, mas não havia certezas.

E quando não existem certezas, a imaginação encarrega-se de preencher os espaços vazios.

Havia dias em que nos convencíamos de que tudo se resolveria naturalmente. Outros em que acreditávamos que jamais conseguiríamos concretizar o nosso sonho. Vivíamos constantemente entre a esperança e o medo.

No entanto, uma coisa era certa: não estávamos dispostos a desistir.

Apesar de finalmente termos algumas respostas, continuávamos com muitas dúvidas. O médico que nos acompanhava foi transparente connosco e explicou-nos que não se dedicava à área dos tratamentos de fertilidade. Caso precisássemos de avançar nesse sentido, teria de existir um segundo médico (enquanto um nos acompanhava em cada etapa do processo, o outro assegurava a componente clínica e os tratamentos).

Por algum motivo, essa ideia não nos deixava totalmente confortáveis. Sentíamos necessidade de encontrar um espaço onde pudéssemos ser acompanhados de forma mais global, por alguém que olhasse para a nossa situação como um todo e nos ajudasse a perceber qual o caminho a seguir.

Foi então que começámos a falar seriamente sobre a possibilidade de recorrer a ajuda especializada em fertilidade. Até então, era um tema distante, algo que associávamos à história de outras pessoas. Subitamente, essa possibilidade começou a fazer parte da nossa própria história.

Decidimos seguir aquele que nos pareceu ser o caminho mais lógico, mas também o mais obscuro. Se não sabíamos exatamente o que estava a acontecer, fazia sentido procurar quem lidava diariamente com estas situações.

E assim marcámos uma consulta de infertilidade.

Na altura, a palavra infertilidade ainda nos parecia distante. Tínhamos exames, algumas explicações e muitas perguntas, mas nunca imaginámos o impacto que aquela consulta viria a ter no rumo das nossas vidas.

Sem o sabermos, estávamos prestes a entrar num universo completamente novo. Um universo de consultas, exames, decisões difíceis, siglas estranhas, emoções intensas e uma carga emocional para a qual ninguém nos tinha preparado.

E foi precisamente aí que a nossa verdadeira jornada começou.


Deixe um comentário