Em pleno COVID-19, com tudo fechado e o mundo a viver uma realidade que nenhum de nós alguma vez tinha imaginado, chegámos à nossa primeira consulta de infertilidade.
Naquele momento, o que mais precisávamos era de aconchego, compreensão e empatia. Estávamos, pela primeira vez, a falar abertamente com alguém sobre um problema cuja verdadeira dimensão ainda desconhecíamos.
Mas, em vez disso, tivemos uma teleconsulta, com toda a distância e frieza que isso acarreta.
Naquele contexto, talvez tenha sido ainda mais difícil.
Estávamos a tentar perceber o que estava a acontecer connosco, cheios de dúvidas e sem saber muito bem o que esperar.
Do outro lado estava uma médica que nos estava a conhecer através dos exames e das palavras que conseguíamos transmitir por um ecrã.
Fomos ouvidos e os exames que tínhamos feito até então foram analisados.
Rapidamente se percebeu que eram insuficientes para conseguir avaliar verdadeiramente o nosso caso.
Precisávamos de mais informação.
Foi-nos então pedida uma série de novos exames, com o objetivo de reunir dados suficientes para perceber melhor o que estava a acontecer e qual poderia ser o caminho a seguir.
Nesta altura, eu já tinha iniciado medicação para a tiroide. Era mais uma peça fundamental daquele puzzle que começávamos, aos poucos, a tentar montar.
Saímos daquela consulta com mais exames para fazer e, inevitavelmente, mais perguntas.
Ainda não sabíamos onde aquele caminho nos iria levar. Não sabíamos quantos exames viriam a seguir, quantas consultas teríamos, nem quanto tempo demoraria até encontrarmos respostas.
Sabíamos apenas que, pela primeira vez, estávamos oficialmente a entrar no mundo da infertilidade.

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